segunda-feira, 30 de agosto de 2010

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Rituais...

Acordar devagar, aos pouquinhos....
Comer com prazer e lentamente....
Deixar a água escorrer pelos cabelos, sentir o perfume do sabonete impregnar na pele...
Chegar no trabalho, abrir a gaveta, arrumar os papéis, ler os recados, escolher a música....
Esperar a hora de te ligar, inventar sonhos, saber do teu dia....
Concluir tarefas, ligar o som do carro, mudar o caminho pra chegar no mesmo lugar....
Jogar bolsa pro lado, sapatos pra outro, roupas por todos os lados e descansar....
Chegar aqui, agora e escrever, ler, encontrar, responder, saber, ouvir, em silêncio, sozinha....
Percorrer caminhos pra te encontrar, escolher roupas pra te impressionar, me amar pra te conquistar...
E o corpo cansa, os olhos reclamam, os pés imploram cuidados, deito devagar, aos pouquinhos vou me desapegando de mim, me entregando, tão profundamente que não dá nem pra sonhar....

O conto de uma noite estranha....

Já é quase meia noite e nada aconteceu....
Todos reclamam mas não sabem bem porque;
Até agora ninguém se apaixonou perdidamente,
Ninguém fez sexo,
Todos tem cara de desesperanças, todos sentem um peso decadente,
Ao fundo toca uma música desconhecida, em uma língua estrangeira que até parece narrar de maneira fascinante todo o glamour daquela decadência,
Uma garota dança sozinha, uma dança vazia de significados,
Copos se enchem e esvaziam-se em silêncio absoluto,
A fumaça do cigarro hipnotiza,
Só resta ir embora, mas ninguém parece querer sair daquela acomodação,
Ninguém se rende a insignificância daquele momento, até parece condenados a total infelicidade,
Apenas mais uma madrugada vazia.

Papéis amarelados....

Era uma vez uma adolescente que queria ser poeta....

1989
E foge tudo de novo.
Só o desejo não foi cortado, como a umidade da noite ainda presente pela manhã;
A vida é úmida;
O meu momento não tem mais tempo, nem espaço, mas é essencial, como o ar que respiro;
o meu momento não tem nome e me dá asas, forma e umidade, ou seja, vida;
O meu momento tem cor, mas não tem lógica, é a vingança da vida sobre mim.
É um lugar comum onde muitas já passaram, se perderam.
Meu momento é intenso e profundo, mesmo que feito de mentiras, cavernas, verdades ocultas, esconderijos, tentativas e erros, tudo faz parte.
Não quero a verdade nua, quero despí-la;
O meu momento é vivo e toma forma, se ramifica no meu interior e fatalmente aflora
Admite a ambiguidade de ser tudo e ser nada;
O meu momento não brilha, não acredita, não sonha, não tem amanhã, e hoje é suficiente;
Não quero ficar dentro deste momento, afinal o amanhã também me pertence, como tudo que a vida oferece.
Fora do momento não estou mais assustada, conheci o proibido, a solidão, e ganhei a esperança do novo,
Os momentos vão se unindo, formando um novo lugar, com expressão e passado e são eles que dão a dimensão da nossa existência, é a vida exigindo vida,
A tua ausência e a minha carência são momentos, tanto quanto beijar, então beije devagar, como se fosse o último, como se fosse durar para sempre,
Neste momento posso ir, pois estou feliz....

domingo, 22 de agosto de 2010

A volta

Depois de tantas acusações, discussões, ego masculino destruído e a sensação de que o cristal estava, irremediavelmente, quebrado, voltamos a nos reconhecer, trocamos as acusações por carinhos e carícias de pura paz, mas como sei que nada é por acaso, hoje repenso melhor a relação e sei que as diferenças ainda podem causar grandes estragos e dores no coração.
Primeira briga e separação em um ano de relação, saldo positivo. Passamos dez dias separados e durante este período, quem aparece? Ele, o ex, momento bem oportuno. Ele o meu calo, o meu caso mal-resolvido estava lá, há tempos não o via, o olhei bem de perto e o achei total estranho, meio patético, sem conseguir me encarar, sem palavras e totalmente esquisito, eu cheia de si, rejeitando convites, sentindo falta de F, o procurando pela cidade, esperando o telefone tocar pra voltar a ser feliz.
Por fim o telefone toca, agora estou feliz de novo, estamos bem, tentando viver juntos, projeto um tanto ousado, mas que preciso viver no momento.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Revendo conceitos....

Passei anos me enganando não sou uma otimista, agora tenho certeza, não sou, muito pelo contrário, não acredito neste mundo em que vivemos, ou melhor, nas pessoas que nele habitam. 
Nunca acreditei em Dr. House, as pessoas mudam sim, seja pelo amor, seja pela dor, seja pra melhor, seja pra pior. 
Não sei se o mundo vai acabar em 2012.
Não sei se sou candidata a povoar este planeta. 
Sei que a cada dia pagamos mais caro por nossa impotência e omissão.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Não existem soluções definitivas.

Lidar com os fatos da vida nos leva a maturidade, então vamos a primeira lição:
Há um dano irreparável no cromossomo Y,  é fato. Sábia Mika.
Se vocês estão bem é só uma questão de tempo, logo as exigências irracionais e sempre fruto de uma educação machista detonam tudo, é tudo bem justificado, afinal se ele esta com você é porque você deve agradecer a Deus todos os dias, eles não conseguem descer do pedestal em que mamãe os colocou, é impossível  se colocar no teu lugar, você nasceu apenas para satisfazer os caprichos dele, apenas isto.  
Eles vão sempre querer que você assuma o papel de mãe, melhor amiga, confidente (afinal homens não choram no ombro de outros homens, eles tomam uma), mas não significa que eles tenham o menor interesse em ouvir você se lamentar e detestam exigências, você que cuide de sua TPM.
Os reis da simplicidade, tudo é simplificado, resumido e justificado desde que seja conveniente. Nos resta o papel de rainhas das carências, sempre a beira de um ataque de nervos, lógico que nunca vai passar pela cabeça deles que a causa é simplesmente o cromossomo Y.