quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Os sete pecados...

                               E sete anos se passaram, acostumei, acomodei, adorei e descuidei. O que podia fazer se a cada dia estávamos alí, presentes de corpo e alma, nem notávamos que a vida exigia mais, sempre mais, cada vez mais.... As brigas aconteciam, mas a vontade de estar juntos era maior, sempre buscávamos reencontrar o caminha de volta e como ele era tão certo, descuidamos.... Olhando para trás o que parecia tão perfeito, hoje me parece um monte de erros que inevitavelmente nós colocariam onde estamos agora: longe um do outro.
                               Estou bem e estou ruim, estou frustrada e aliviada, confusa e  reencontrada, minha cabeça nunca esteve tão confusa, aguardo o tempo passar e mostrar qual caminho seguir.
                               Acordo preguiçosa e sem pressa, estou sentindo melhor o gosto da água, a energia da casa, sentindo o silêncio que vai curando a minha alma, tantas vezes te chamei a este silêncio, a um mergulho interior, mais isto não significa nada para você, não temos muito em comum, quase nada. 
                               Quem são os teus poetas preferidos?, Teus cineastras preferidos? Teu cheiro preferido? Tuas rosas preferidas? Teu livro mais marcante? Teus heróis nacionais? Qual o lugar que você precisa conhecer antes de morrer? Quais pinturas te emocionam? Nada disto te representa. As diferenças estreitaram e nos separaram.... Resumindo incompatibilidade de gênios. Como assim? Só isto a dizer? Terminou e ponto final? Exatamente assim..... 
                              

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

A vida que escolhi....

De pé, diante de mim mesma, o espelho trincou e a imagem por fim me satisfez, me reconheci, depois de tanto tempo, diante do espelho trincado... As paixões são lembranças distantes, as vejo como em um filme, me entorpeço diante da arte, da coragem alheia, da exposição de desejos alheios, que são também meus... Este espelho me vê como ninguém vê, como não permito ser vista...


Aqui, em um local desconhecido, posso ser, existo, falo, penso, me vejo, e me permito duvidar de tudo, de mim, me permito reler, reler e não mais me reconhecer....

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Vivendo a Poesia....

        Cecília Meireles: 

         Lua Adversa 

         Tenho fases, como a lua

Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha. 

Fases que vão e vêm, 
no secreto calendário 
que um astrólogo arbitrário 
inventou para meu uso. 

E roda a melancolia 
seu interminável fuso! 

Não me encontro com ninguém 
(tenho fases como a lua...) 
No dia de alguém ser meu 
não é dia de eu ser sua... 
E, quando chega esse dia, 
o outro desapareceu...
Hoje quero uma solidão acompanhada a distância, cheia de palavras e transferências, uma solidão a dois, onde a distância nos salva e nos redime.....