segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Quero não, obrigada!

Detesto menstruar e acredito que de todas as condições que nós impõe como condição de ser mulher, esta é a pior.

Hoje consigo analisar a Sara menina, adoslescente, adulta, coroa como personagens que compõem a mulher que sou hoje, posso até me assistir como em um filme, a criança que menstruou aos  11 anos de idade, antes da irmã mais velha e das primas mais velhas, arrodeada de amiguinhas que mal começavam a desenvolver e os meus seios já chegavam sem pedir licença, foi bem traumatizante, os inchaços, TPM, comentários e tudo aquilo tão desagradável, sem falar daquele rio de sangue que escorria entre as pernas sem nenhum controle, sem pedir licença e saia sujando tudo.

Antes, durante, dias intermináveis.

Antes: a displásia mámaria, dois quilos a mais, angústia, uma panela prestes a explodir, irritação.

Durante: seis dias de muito fluxo, odores fortes, cólicas fortes e os maiores modess que tinham no mercado pra conter aquela vazão, não era lindo, não.

A lua, a mulher, a natureza, o sagrado feminino nada me convencia.

Então, se fosse necessário me desconectar com meu sagrado feminimo, pra acabar com aqueles eternos dias de desconforto e nenhuma vontade de engravidar, tudo bem, viva a ciência, os anteconcepcionais, o DIU e qualquer coisa que parasse com aquilo.

Talvez a criança que se sentia rejeitada pela mãe, encarnações anteriores, carmas mal resolvidos, falta de amor entre meus pais, ausência de amores seguros e que me permitissem romantizar, sei lá, a única certeza que tinha é que não me fazia falta alguma menstruar e ter filhos não era uma vontade que me acompanhava.

Medo da solidão no futuro? Sim, tenho.

Medo de criar e educar filhos? Não.

Vontade? Nenhuma. 

Meu eu mulher negligenciado ou desrespeitado? Talvez o tempo responda.

Hoje sei o quanto vivi na ferida da rejeição, fugindo de tudo que pudesse me causar dor e grandes sofrimentos, processos mentais tão fortes e intrínsecos quanto respirar, 

O que me define como mulher feminina, sagrada, conectada com a natureza e com meu eu mais íntimo?

São tantos traumas, crenças limitantes, desejos frustrados, tantos lugares que não me cabiam e até hoje não cabem, caixinha que me enquadram, e o tempo que escorre entre as mãos, e, uma vida só pra resolver todas estas questões.

Talvez não me cabia resolver ou aceitar, preciso vivenciar coisas que minha alma feminina almeja, desejar sem medos ou enquadramentos, livre das crenças e traumas, deixando os desejos, os amores, a maternidade, a paternidade que existam em mim se manifestarem.

Sempre foi sobre nosso potencial criativo, que só se realiza na desconstrução de tantos padrões que só limitam e frustram.



sexta-feira, 11 de outubro de 2024

Quem não quer ser FERNANDA YOUNG?

 

 O que faz o bom escritor, senão transformar emoções em palavras? Quem mais poderia traduzir as dores, as alegrias, o dia, o mês, o ano, a decada, a vida e transformá-las em música, filmes, pinturas, poesias, prosas, versos?.
                                                          E quem melhor traduziu toda a louca, contradição e o politicamente incorreto que fizeram dos anos 90 e 2000 os anos mais caóticos e criativos que já se tem notícias, ela, FERNANDA YOUNG.
                                                         Que delícia assistir Foge-me ao controle, um documentário sobre a obra e vida de Fernanda, reafirmando sua escrita densa, séria e ou mesmo tempo tão cortante e divertida, uma mulher admirável, principalmente, por fugir de todos os padrões, a escritora compulsiva, que de tudo e de todos tirou profundas e divertidas observações. 



quarta-feira, 9 de outubro de 2024

TUDO É RIO


 E correnteza abaixo, fui tomada de paixão pela leitura de Carla Madeira, em TUDO É RIO, sem pudor fui tomada de uma inveja infantil de quem quer ser a outra e ter todo aquele talento em mim, escrever com tanta beleza e humanidade, entender o outro como seres feridos e perdoáveis, apesar de seus pecados imperdoáveis, ter tamanha empatia com qualquer  que seja o ser humano.

De lá pra cá a escrita tem sido um suspiro de vida e esperança em mim, a esperança de aprender a amar, a vontade gigante de ser melhor e ser mais, de escutar minha alma nas suas mais profundas inquietações e transformá-las em arte.

Tomada pela sensibilidade na construção dos personagens revivi meus amores esquecidos, meus arquivos sentimentais, a lembrança daquela menina que brigava com moinhos de ventos pra não ser atropelada pelas paixões desenfreadas, que chegavam sem aviso prévio. 

Este é o poder da arte, o de nós arrastar nas suas correntezas, de nos lembrar o quanto somos falhos, pequenos, egoístas e mesquinho quando tratamos do amor da carne, da posse, do desejo. Querer e ser querido, desejar ser desejado para além de tudo que já somos e temos, na esperança desenfreada de ser mais, de ser feliz apesar de tudo.

Carla nos lembra que o amor não nos protege, não tem fim por si só e como tudo na vida tem seu lado bom e ruim, sagrado e pecador e são poucos os que pagam o preço pra vivé-lo.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

03/04/2024 às 23:56

 Entrei no tunel do tempo literalmente, daqui a três minutos será um outro dia e estou eu aqui, com a pia cheia de pratos sujos, as compras desnecessárias jogadas na mesa da sala, enquanto eu tento trabalhar, assistir novamente a série da HBO, SEX AND CITY e não tiro meu ex de 2006 da cabeça, depois de ter cedido aos 18 anos de resistência aos seus apelos, e acreditem, foi incrível como nos velhos tempos.

Vamos por parte: Incrível como a série Sex and City consegue ser tão atual e falar tão diretamente sobre meus dilemas e dramas de mulher solteira a procura. Mulheres lindas, ricas, que vivem em Nova York, escritora, advogada, marchant, promotora de eventos que se envolvem em tantas roubadas amorosas, como qualquer outra mulher do mundo, acho eu que na China ou no Paquistão, role estas mesmas merdas. Vou me ater a falar sobre uma garota de origem humilde, do interior da Paraíba, que depois de muitos perrengues vai morar na Capital, conseguiu melhorar seu padrão financeiro e físico, estudou, se cuidou, viajou, e como as garotas da TV se meteu em trilhões de roubadas. 

É, elas são culpadas pelas suas vidas amorosas fracassadas, com homens fracos, neuróticos e perebentos como bem classifica a querida e sábia Valeska Zanello, no seu livro a Prateleira do Amor, é, realmente, uma procura insana, louca e que precisamos contar com sorte, destino e todo nosso conhecimento zodiacal, e acredito que seja a melhor opção, não consigo nem imaginar "por enquanto" de desistir deste sonho maluco de encontrar um homem pra amar, viajar e dividir as contas do mês. 


Somos culpadas por repetir padrões milenares de idealizações fudidas de amor? Somos culpadas por esta biologia maluca, que faz com que carreguemos no meio das pernas uma bomba nuclear que explode cada vez que nos apaixonamos ou sentimos tesão, ou sei lá, quando estamos carentes? Somos culpadas se todos as coisas no mundo nos reportam a uma cena romantica onde encontraremos alguém legal e viajaremos o mundo, e ele estará ao nosso lado pra vê a cada mês a lua crescente de frente ao mar, e que nos surpreenderá com mimos e presentes que vão lembrar o quanto somos especiais, não dá pra fugir, as mensagens estão por todos os lugares, todos. 


Sim, repetimos padrões, por isto falei da minha casa neste momento, que já é outro dia, mesmo com uma vida inteira de tantos aprendizados, minha casa é uma cópia fake da casa da minha mãe,  bagunça, gambiarras, um projeto em eterna construção, casa arrumanda e organizada nunca foi uma prioridade ou mesmo algo que saberei administrar.

segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Coragem amiga, coragem....

Coragem pra fazer escolhas...
                                    Coragem pra cumprir as metas...
                                    Coragem pra assumir as consequências...
                                   
 Coragem pra me olhar no espelho e vê que não sou um ser amoroso, a não ser nas pretensões poéticas...
Coragem pra mergulhar no outro e amar de novo...
Coragem pra deixar alguém entrar e participar deste ser humano que pensei lapidada...
Coragem pra encarar a verdade e vê o tamanho do egoísmo que paralisa....

Não é fácil se reconhecer pequena, diante de tanta grandeza que já se adquiriu, de tanto amor que arde dentro, que quer expandir...


Eu quero espaço pra ser no outro, para existir amorosamente a dois... 

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Notícias de 2022

     Vai chegando o final do ano e eis que surge aquela vontade de voltar por aqui pra fazer uma retrospectiva de como foi 2022👉.

    Posso começar falando que nem bom, nem ruim, acho que "morno" define bem, fazia tempos que não passava um ano sem uma paixão,  sem novos amores, então 2022 foi um ano sem vida afetiva significativa, acontece.😔

    Não que tenha ficado sozinha, terminei relações pendentes e mantive um crush campinense, aquela velha história que vem atravessando os anos, um brinde a ele (com bons vinhos)👄.

    Resumiria meu ano como sendo o ano dos esportes, bati todos os meus recordes de gastos calóricos kkkkk, aprendi Beach Tênis e Fitdance, duas paixões que conheci e vivi intensamente, dois novos mundos que se abriram pra mim, com eles novos amigos, e uma mudança radical na minha vida. Por fim consegui um grande objetivo, hoje curto mais o dia do que a noite. 👏

   Não foi um ano fácil, politicamente falando, assistimos pela televisão a uma guerra, um País sendo atacado, cidades inteiras sendo destruídas😓, as bizarrices bolsonaristas foram aterrorizantes, mas conseguimos tirar o louco do poder e novos horizontes surgem a nossa frente com Lula eleito. 😍

   Voltamos a "normalidade" pós-Covid,  festejar, aglomerar, não tivemos carnaval, mas veio o São João e foi lindo, curti intensamente, voltamos a viver sem máscaras e apesar das aparentes ameaças que voltaríamos a usá-las, a gravidade da covid já não é mais tão ameaçadora. Tive por duas vezes, com sintomas leves e sem maiores medos. 💏

    Fiz as pazes com Campina Grande, a revivi em vários sentidos, passei a visitá-la periodicamente e reencontrar velhos amigos, andar por suas ruas, parar nas praças pro cafézinho, me reconectar com aquela garota que aprendeu a ser quem é nesta cidade, chamada de Campina Grande, não imaginava mais viver momentos tão poético na cidade onde nasci e cresci. 

    A sensação é que envelheci vinte anos em um, que meu olhar sobre o mundo é novo e mais amoroso, meu abraço é mais sincero, apesar de ter abraçado muito menos este ano, tenho falado menos, escutado mais. 

terça-feira, 17 de agosto de 2021

O que me desestabiliza? O que me magoa? O que me dá raiva? Como lidar com estas questões?

Tá lá em Clarice Pinkola Esther as respostas, e ela retorna na minha vida por intermédio de Elisa, e esta é mais uma das voltas inesperadas que a vida dá.

Não posso dizer que nos conhecemos, ela chegou na minha vida, e olhei pra ela como que no espelho, e me senti substituída em um cargo que nunca quis assumir, independente de todas as voltas que dei com Ele, quem decidiu o lugar de cada um nesta história fui eu, decidida a não voltar pra um lugar que conhecia bem e não me faria feliz, erros que não me permito mais repetir.

Talvez esta história esteja apenas começando....

Voltando a vivencia que vivi ontem no Grupo Mulheres que Correm com Lobos, descubro a criança ferida que teve que amadurecer rápido demais e sem recursos para isto, os gatilhos que disparam sempre que Giba bebe e no alto do sarcasmo me aponta o dedo acusatório, remexe as feridas, me coloca no modo defensivo. 

Hoje a mulher madura e auto-centrada quer acolher a criança assustada naquele quarto escuro, que sentia vergonha de pedir carinho, que chupava o dedo e se acariciava numa solidão assustadora, esperando um carinho de uma mãe distante e crítica, de um pai frio e exigente, pais que amavam sem tamanho, mas que eram filhos de mães omissas e sem mães, de pais machistas e intolerantes, figuras que repetiam por décadas padrões falidos de educação e que machucavam pra ensinar, machucavam sem querer e sem perceber.

Seguindo o ciclo a criança machucada vira adulto machucado que sobrevive e agora tenta entender e romper estes padrões. 

Talvez coincidência mas a conjunção dos astros dizia que eu iria entrar num processo de introspecção de busca e assim esta sendo, tentando vê se quem tá dentro parece com quem sorrir nas fotos, e num é que tá sereno o processo. 

Pois é, o tempo tá passando cada vez mais rápido, sei que isto é uma sensação, não um fato em si, o tempo e as horas são as mesmas, mas noss...